Amanhã haverá eclipse.
E anéis de fogo incendiarão o céu da Antártida.
Seguirei aqui. Neste não-lugar de vinho em perpétua fermentação.
Com minhas mãos trêmulas acendendo velas aos suicidas.
E a chama da esperança que ainda deverá seguir queimando após a festa da carne.
Amanhã haverá eclipse.
Apesar de tudo ainda não será a hora do céu cair sobre nossas cabeças.
E o cheiro das últimas trepadas de carnaval estará disperso na atmosfera.
E os uivos e os gemidos e os berros das últimas trepadas de carnaval estarão dispersos no ar.
Serpenteando entre todos os versos que foram escritos pela Voz no ar.
Nas mais estranhas línguas jamais imaginadas.
Amanhã haverá lagrimas.
Uma flor arde em febre e a terra apoderada pela mais brilhante convulsão.
Seguirá girando entre as covas rasas e profundas dos suicidas.
Com suas estrelas e astros imprevisíveis.
Apesar da flor que arde em febre e seus banhos de paracetamol e codeína.
Apesar da flor que vomita a herança de todos seus antepassados.
E chora. E chora. E chora.
Neste não-lugar de vinho em perpétua fermentação e sonambulismo.
Amanhã haverá mais um eclipse.
E os cães. E os gatos. E os veterinários e os pediatras que cuidam das flores e
as protegem da fúria assassina dos jardineiros
estarão mergulhados na insana festa da carne e do sangue.
Amanhã haverá eclipse.
E dessa vez nenhuma profecia estremecerá o sereno transcurso do tempo.
nuno g.
16 de fevereiro de 2026.
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