Assim como existe um Sonho que sonha todos os sonhos que recordamos ao amanhecer.
O arco-íris segue matando a sede nas águas do rio.
E quem nos protege nos pediu outra vez dois cigarros.
Acesos. Como a boca da Serpente que nos guia.
A morte, apesar de já sabermos ser uma ilusão, é quem nos guia.
Para além de nós mesmos e da miséria que assola a imaginação.
Tempo balança as folhas e as asas dos beija-flores.
Quando todos se dizem poetas sabemos que a poesia entrou em estado terminal.
E todas as coisas importantes e necessárias estão mesmo em extinção.
A luz do amor é escura.
Quem conhece o fogo sabe que somos menos e que nisso reside o que importa.
Os gatos vem e vão como as algas marinhas.
A chuva tarda, mas chega.
Existe a sabedoria e o conhecimento.
Ao primeiro todas as nossas dívidas.
Ao segundo todo nosso reconhecimento.
Na sombra qualquer espelho reinventa sua serventia.
A lágrima de uma criança é da mesma natureza das nuvens.
Linguagem que não deciframos antes de ser devorados inteiramente.
O temor ao caos é insano, estúpido e egoísta.
Só à dor nosso respeito em sua máxima intensidade.
Na lua o seio que goteja o leite por todo o sempre.
Até que os cegos cheguem à fronteira e vejam que não há abismo.
Que nunca houve abismo.
E que deus é a palavra mais bonita para nomear o inominável.
Não há solidão sincera onde não habite o que a linguagem vulgar chama Além.
nuno g.
Toróró, 13 de fevereiro de 2026.
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