Cortez queimou os barcos para que seus marujos sentissem na alma o que é não ter onde regressar.
Desde então recordo aquela praia e aquela igreja: unidas pelo destino de meu nome e do sangue que me trouxe à terra.
E toda segunda-feira torno a pisar o chão onde avistei o arco-íris, a serpente e o jaguar.
Alice me abraça como quem abraça o viajante que parte para nunca mais voltar.
Assucena me olha como quem olha quem lhe recebeu no parto.
No céu os pássaros semeiam tempestades.
Muitas vezes o que se espera ser uma alegria revela-se mero alívio.
O mar é uma encruzilhada onde todas as águas se abraçam.
Como quem se despede para sempre.
Como quem nunca termina de chegar.
No céu os pássaros semeiam o silêncio que antecede as tempestades.
Cortez queimou os barcos para que não houvesse forma de regresso.
Não sabia que nunca se regressa aonde nunca se esteve.
O mar é a encruzilhada onde todas as águas se unem e se apartam.
No céu os pássaros semeiam as estrelas que nascem após as tempestades.
nuno g.
22/dezembro/2025.
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