Gabi sonhou com o velho problema da liberdade e do livre arbítrio.
Uma velha, muito velha, lhe negou qualquer direito a um segundo caminho.
Nada de novo sob o sol.
A vaidade e a inveja seguem sendo nossos inimigos tradicionais.
As palhas que o mundo move.
As farpas que o ego deita sobre nosso caminho.
Os mais velhos só querem descansar.
Os mais novos só querem se mover.
Como planetas ébrios e atônitos.
Em direção ao obscuro coração da terra.
Não saber se somos livres parece uma sentença.
Cravada em nossos pés como um espinho de jurema.
Não há mal que dure mil anos.
Mas mil anos é mais que suficiente para que a desistência nos vença.
Envelhecer é assimilar derrotas.
Foi o que comentei com Lecy enquanto ela lia O Corvo.
O sonho com o caminhão que me levava daqui de vez não sai de mim.
Segunda sombra da árvore que não cheguei a ser.
Esboço do poema que não me tornei.
Filho que a morte não me permitiu parir.
nuno g.
Tororó, 17 de setembro de 2026.
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