para seu Rizaldo & dona Norma,
Hermenegildo sorri.
E canta e dança e come.
Hermenegildo que é serpente e também arco-íris.
Ao mesmo tempo.
Como a fenda e o que respira dentro e além da fenda.
Traz a escuridão acesa nas mãos.
E vento que é afasta o que não nos pertence e o que nos afasta do que somos.
Hermenegildo que é cansaço e descanso.
Sombra da sombra de si mesmo refletida nas águas de um rio antigo.
Segue a procissão com seus olhos esculpidos na pureza do ferro.
Hermenegildo que é a mata e todos os seres que habitam a mata sorri.
E canta e dança e come e celebra a vida.
Com a escuridão acesa nas mãos.
E a lucidez das margens de um mundo que despreza as margens.
Se ergue. Canta ao Ferro. Dança com o fogo. E come feijão com as mãos.
Como uma criança de coração velho.
Ou um velho com coração de criança.
Hermenegildo sorri e reza.
À sua maneira. Ao seu modo.
Como som de flauta que encanta serpentes.
Como rio que sacia a sede das cores.
Hermenegildo está aqui e sorri.
Este vento que sopra e afasta a loucura.
Este vento que diz que a morte não existe.
Este vento que firma árvores estrangeiras no chão do amanhã.
Hermenegildo canta, dança e come.
Hermenegildo sonha o que somos.
Cruza a estrada a cavalo.
E sorri.
nuno g.
Toróró, domingo de ramos, 2026.
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