Só queria chegar ao rio.
Recordar que o mundo é imenso.
E que a noite é mais longa que a imaginação.
Entretanto havia muitos nomes entre o sonho e as águas.
E à sombra de cada nome outros nomes florescendo.
O filho do vento sentou seu cansaço à pedra.
Olhou-se no espelho do nada e chorou como um passarinho.
Só queria chegar ao rio.
Recordar que as lágrimas são salgadas.
E que as feridas acendem quando se nomeia as coisas.
Só queria chegar ao rio.
Esquecer o esquecimento e se entregar às águas.
Entretanto havia muitos nomes nascendo dentro de outros nomes.
E o filho do vento, cansado e entediado, agarrou-se às próprias asas indefesas.
Enquanto o tempo bonito de chuva rasgava o lajedo da serra.
E aproximava-se das garças do Jaguaribe.
Só queria chegar ao rio.
Sem ter que atravessar os nomes que o separavam das águas.
O filho do vento finalmente havia entendido
que a beleza é triste, furiosa e está sempre prestes a desaparecer...
nuno g.
São Bernardo das Éguas Russas, 07 de maio de 2026.
Nenhum comentário:
Postar um comentário